O presidente nacional do PT, Edinho Silva, admitiu ao encerrar o 8º Congresso da sigla que o partido precisa adotar “humildade” para se reaproximar de evangélicos e motoristas de aplicativos — dois grupos que, na prática, têm demonstrado forte resistência ao petismo após anos de embates ideológicos, uso político de estruturas estatais e medidas que impactaram diretamente trabalhadores e pessoas ligadas a valores cristãos. A chamada “humildade” mencionada por Edinho Silva surge como um reconhecimento tardio de que a retórica de classe e posturas culturais mais rígidas do partido contribuíram para afastar milhões de brasileiros trabalhadores e religiosos. Após décadas tratando evangélicos como grupos desinformados ou como ameaça à chamada “laicidade progressista”, e encarando motoristas de aplicativo como profissionais precarizados sujeitos a crescente regulamentação e encargos, o PT agora percebe a necessidade de demonstrar aproximação para tentar recuperar apoio eleitoral. Essa alegada autocrítica soa mais como uma estratégia eleitoral em um momento delicado do que como uma transformação real: o mesmo partido que contribuiu para elevar o chamado Custo Brasil, pressionar a indústria, encarecer a energia e ampliar a burocracia no mercado de trabalho agora afirma querer “escutar” justamente aqueles mais afetados por essas políticas. Evangélicos e motoristas de aplicativos não buscam condescendência política; demandam menos intervenção estatal, menor carga tributária, menos regulações de cunho ideológico e mais autonomia — pontos frequentemente associados a posições distintas das adotadas pelo partido ao longo dos anos. O PT, nesse contexto, não teria passado por uma mudança substancial, mas sim estaria tentando suavizar sua imagem histórica como forma de manter relevância no cenário eleitoral de 2026.