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Diretrizes petistas prometem recuperação e omitem papel da própria gestão no endividamento
Programa de Lula repete discurso da 'herança maldita' e esconde o próprio rastro
Publicado em 11/08/2026 19:25
Politica

Os signatários do programa de governo petista abrem o documento "Diretrizes para o programa de transformação do Brasil; um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo" afirmando que "o governo Lula III começou com a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023, mobilizações violentas contra a democracia e um Estado profundamente desmontado e fiscalmente desequilibrado". Na sequência, atribuem essa "destruição" ao impeachment de Dilma Rousseff e aos governos Temer e Bolsonaro, e descrevem o legado recebido como "uma verdadeira herança maldita, marcada por uma economia combalida, políticas públicas destruídas, revogação de direitos, aumento das desigualdades, precarização do trabalho, fortes expressões de violência social e política e aviltamento da soberania nacional".

 

Enquanto isso, a campanha pela reeleição escolheu o slogan "O Brasil pronto pra mais". O que o programa demonstra, na prática, é que pronto para mais está o presidente — disposto a repetir, num eventual novo mandato, exatamente aquilo a que submeteu a nação no atual, à frente do Palácio do Planalto. O país, definitivamente, não se mostra preparado para outros quatro anos de uma gestão pródiga e temerária.

 

O texto, aliás, falseia sem constrangimento a situação econômica e recorre ao jargão batido da "herança maldita" para embair o eleitorado. Desconsiderando por completo a pandemia do coronavírus, os petistas sustentam que "a deterioração das condições de vida da população brasileira entre 2016 e 2022 não foi fruto do acaso, mas o resultado de uma política econômica equivocada, e da inação planejada e do desmantelamento de políticas sociais consolidadas", e que "entre 2017 e 2022, a economia brasileira enfrentou baixo crescimento, com uma taxa média de 1,5% ao ano".

 

O plano vai ao cúmulo de prometer que "ao final de 2026, serão quatro anos de recuperação das condições macroeconômicas" e de comemorar que "a inflação registrou o menor índice acumulado de um mandato presidencial na história do país, alcançando uma média anual de 4,6%" — silenciando, porém, que o índice benigno só veio às custas da mais alta taxa básica de juros já praticada no Brasil.

 

A Selic, curiosamente, só entra na narrativa quando interessa: "Herdamos uma taxa Selic elevada e uma política econômica equivocada do governo que levaram ao endividamento elevado das famílias." Ou seja, até o recorde de 15% ao ano — consequência do apego do governo Lula à gastança pública sem freio — é debitado na conta dos adversários, como se não fosse o próprio petista a atirar os brasileiros, mais uma vez, nas dívidas.

 

A saída anunciada para o próximo governo tampouco convence: conservar o novo arcabouço fiscal, apresentado pelos lulistas como o instrumento que "controlou o crescimento das despesas sem prejudicar a recomposição de gastos sociais". Trata-se de mais uma falsidade despudorada. As despesas seguiram em expansão, e o modesto equilíbrio fiscal exibido nos últimos anos nasceu do aumento da arrecadação e de expedientes contábeis — não de qualquer austeridade.

 

No mesmo documento, o programa assevera: "A taxa de juros é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove concentração de renda e desorganiza a nossa economia. Para impulsionar ainda mais os investimentos produtivos e o crescimento econômico de longo prazo, vamos criar as condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e assegurando uma política fiscal responsável. Para isso, manteremos o novo arcabouço fiscal, que controlou o crescimento das despesas sem prejudicar as políticas sociais e permitiu uma redução significativa do déficit primário."

 

As distorções do diagnóstico econômico lulista ainda ganham o reforço de outra versão propagada pelos aliados do presidente: a de que existiria um plano para enxugar gastos no quarto mandato do petista. Mente quem espalha essa história — e mente, da mesma forma, quem declara acreditar nela.

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