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PM suspeita de envolvimento em morte de colega foi flagrada levando filha à escola no dia do crime
Publicado em 13/08/2026 21:11
Policial

 

A soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Júlia Natália Girão Gomes e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, investigados pela morte do PM Raphael Sampaio, foram capturados por câmeras de segurança na manhã de terça-feira (11), em Itaitinga. As imagens mostram o casal deixando a filha na escola — e contradizem a versão apresentada pela militar, que afirmou, em depoimento, ter sido mantida em cárcere e amarrada após o crime.

 

De acordo com a gravação, Júlia e Antoneudo chegaram à unidade escolar às 7h38, no exato momento em que, segundo o relato da soldado, ela estaria sendo "ameaçada" depois de testemunhar a morte de Raphael a tiros. Os dois deixam o local rapidamente, enquanto a criança permanece sob os cuidados da instituição de ensino.

 

Ainda na terça-feira (11), a militar foi localizada em uma zona rural às margens da BR-116, onde disse ter sido abandonada amarrada pelo marido. Antoneudo chegou a ser apontado, inicialmente, como o mandante do crime. As primeiras informações indicavam que ela teria sido forçada a assistir à execução do PM. Horas depois, antes de ser "encontrada", a soldado afirmou ter se "desamarrado sozinha" e buscado ajuda de um morador das proximidades da rodovia.

 

Os dois suspeitos seguem detidos após audiência de custódia realizada na quinta-feira (13), no 7º Núcleo de Custódia e Garantias, em Maracanaú.

 

Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o flagrante do casal não foi homologado. A soldado teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, a pedido do Ministério Público e da Polícia Civil. Já Antoneudo teve a prisão relaxada, mas permanece encarcerado em razão de um mandado de prisão oriundo de outro processo, que corre em segredo de Justiça.

O soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi morto após encerrar um plantão às 2h de terça-feira (11). O corpo foi localizado horas depois, quando um chamado de incêndio levou o Corpo de Bombeiros Militar e a PMCE até um veículo em Itaitinga.

 

No local, o policial estava vestido com a própria farda da PM e algemado. Um galão de combustível também foi encontrado, o que apontaria para um incêndio criminoso e intencional, conforme documentos obtidos pelo Diário do Nordeste.

 

Dois PMs foram convocados à Delegacia de Homicídios, mas a terceira, Júlia Natália, não foi localizada. Em depoimento, depois da ocorrência na BR-116, a mulher relatou que pediu carona a Raphael quando os dois deixavam o trabalho, no bairro Messejana, e que teriam sido interceptados por criminosos.

 

As versões apresentadas por Júlia, no entanto, começaram a ruir com o avanço das investigações. Outro registro de câmera de segurança mostrou a mulher em uma oficina por volta das 8h52, caminhando livremente e com a mesma vestimenta — no horário em que afirmava estar sob cárcere.

Uma das linhas de investigação aponta vingança por uma traição como motivação para o crime. Apurações do Diário do Nordeste indicam que o PM de 27 anos teria se relacionado com uma mulher comprometida e acabou sendo atraído para a própria morte.

 

Na quinta-feira (13), Rosilane Sampaio, tia do policial, confirmou que Raphael e Júlia mantinham uma relação extraconjugal havia pelo menos seis meses. "Houve, sim, uma relação extraconjugal. Infelizmente, era sabido pela gente da família, alguns poucos. Não era aceito. A gente não era conivente", declarou a familiar, ressaltando que, ainda assim, o envolvimento não era um "motivo para a morte".

 

O corpo de Raphael foi velado em uma funerária na Parquelândia, em Fortaleza, com a presença de amigos, familiares e colegas de farda.

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