FUTEBOL
O Brasil conquistou sua última Copa em 2002 — 2 a 0 sobre a Alemanha, gols de Ronaldo. Mas daquele ano para cá, só decepções e escândalos envolvendo dirigentes da CBF, temperados com críticas a condutas de técnicos, que, sem justificativas plausíveis, insistiram em formações de seleções reprovadas por torcedores e imprensa.
Nos bastidores, a política aumentou seu poder e interferência.
A dinastia Havelange–Teixeira transformou a CBF em extensão do poder político e econômico. Ricardo Teixeira, genro do presidente da FIFA, comandou a confederação de 1989 a 2012, esvaziando na prática reformas como a Lei Pelé.
Os escândalos cobraram o preço: Teixeira foi banido para sempre pela FIFA em 2019; José Maria Marin foi preso em Zurique e condenado nos EUA; Marco Polo Del Nero foi banido vitaliciamente em 2018; Havelange caiu após o escândalo ISL.
A instabilidade chegou ao campo: a Copa de 2014 foi marcada por protestos contra os bilhões gastos em estádios e pela pressão política sobre o governo — e o desfecho foi o 7 a 1 para a Alemanha, símbolo de um projeto que priorizou o palco em vez do time.
A interferência segue viva: em dezembro de 2023, a Justiça do Rio afastou Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF, e a FIFA ameaçou suspender o Brasil por "influência indevida de terceiros". Ele voltou em janeiro de 2024, mas em maio de 2025 novo afastamento judicial voltou a colocar a seleção sob risco de punição.
A conclusão crítica permanece: cada crise política nos bastidores cobra seu preço em campo. De 2002 para cá, o padrão se intensificou de forma quase que descarada — dirigentes envolvidos em corrupção, intervenções judiciais e disputas de poder que desestabilizam a seleção.
CARNAVAL
Além das manipulações que nosso carnaval vinha sofrendo, inclusive por contraventores, já tirava o brilho da festa; porém, a propaganda política aberta e escancarada da última edição foi um dos atos mais constrangedores e destruidores da democracia da grande festa popular brasileira.
O mundo presenciou e reprovou com dezenas de publicações na imprensa internacional.
Mas, como diz o ditado popular, "a esperança é a última que morre", o brasileiro acredita voltar a ter um futebol e um carnaval longe da ditadura.