O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu a cassação do prefeito de Senador Sá, Bel Júnior (PP), e da vice-prefeita Professora Maria, além de manter a realização de eleição suplementar no município, marcada para 1º de março. A suspensão do pleito, que havia sido determinada anteriormente, durou menos de 48 horas.
A decisão representa a terceira cassação da chapa desde o avanço do processo na Justiça Eleitoral, iniciado após questionamentos sobre o evento “Cavalgada do Bel”, apontado como ação de promoção pessoal com características de campanha eleitoral.
Na quarta-feira (25), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva havia concedido efeito suspensivo à decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), interrompendo temporariamente a realização da nova eleição. Com isso, o prefeito chegou a divulgar vídeo nas redes sociais comemorando a medida.
Entretanto, após pedido de reconsideração apresentado pela coligação adversária, o ministro reviu o entendimento e restabeleceu os efeitos do acórdão do TRE-CE, que havia cassado os gestores por abuso de poder político e econômico. Segundo o magistrado, mesmo sem detalhamento específico sobre eventuais falas ou slogans que caracterizassem showmício, a Corte Regional apontou que o evento teve dimensão suficiente para influenciar o equilíbrio da disputa eleitoral, com uso de elementos típicos de campanha e participação de artistas.
Na decisão mais recente, o ministro determinou a imediata comunicação ao TRE-CE para adoção das providências necessárias à realização da eleição na data prevista.
Histórico do caso
O processo já havia passado por reviravoltas anteriores. Em 2025, o TRE-CE determinou a cassação da chapa e convocou nova eleição. Posteriormente, o TSE suspendeu liminarmente o pleito e manteve o prefeito no cargo até análise mais aprofundada do recurso.
Depois de julgar embargos apresentados pela defesa, o tribunal regional voltou a decidir pela cassação e declarou o prefeito inelegível. Bel Júnior recorreu novamente ao TSE, solicitando efeito suspensivo para permanecer no cargo enquanto o recurso especial fosse analisado — pedido que chegou a ser aceito, mas agora foi revogado.
Com a nova decisão, a eleição suplementar está mantida, e o município deverá voltar às urnas no próximo domingo.