O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou a captação de R$ 1,6 milhão por meio da Lei Rouanet para a produção de um espetáculo em homenagem ao cantor Caetano Veloso. A iniciativa prevê 18 apresentações gratuitas em cinco cidades brasileiras.
O projeto, intitulado “CAÊ – Reconvexo: um musical para Caetano Veloso”, será executado pela Agência TV Pelourinho, que ficará responsável pela aplicação dos recursos públicos captados via incentivo fiscal.
A proposta inclui contrapartida social, com a oferta de oficinas gratuitas de Teatro e Audiovisual em Salvador após o período das apresentações. Segundo os organizadores, o elenco e a equipe técnica serão formados majoritariamente por jovens, negros e moradores de periferias. Os músicos serão selecionados junto à Escola Olodum.
Questionamentos sobre prioridades
A liberação do recurso ocorre em meio a críticas recorrentes sobre as prioridades do governo federal na aplicação de incentivos culturais. Para opositores, destinar R$ 1,6 milhão para homenagear um artista já consagrado levanta dúvidas quanto à equidade na distribuição dos recursos, especialmente diante de demandas urgentes em áreas como saúde, segurança e infraestrutura.
Dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), do Ministério da Cultura, indicam que o valor médio anual autorizado pela Lei Rouanet aumentou 33% no atual governo em comparação com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A média passou de R$ 2,30 bilhões para R$ 3,06 bilhões. Em três anos, o montante autorizado soma R$ 9,2 bilhões, superando o total registrado nos quatro anos anteriores.
Críticos afirmam que o crescimento expressivo dos valores aprovados reforça a percepção de que o governo tem ampliado significativamente o uso do mecanismo de incentivo fiscal, favorecendo projetos ligados a aliados políticos em prejuízo a demais artistas.
de apresentações gratuitas e ações formativas