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Brasil atinge déficit nominal recorde de R$ 1,2 trilhão em 12 meses, aponta Banco Central
Por Agostinho Alcântara
Publicado em 04/05/2026 19:15
Economia

 

 

Conforme os dados divulgados pelo Banco Central, o rombo nominal nas contas do setor público alcançou a marca histórica de R$ 1,218 trilhão no período de 12 meses encerrado em março. Este é o patamar mais elevado registrado desde o início da série, em 2002, mantendo-se acima de R$ 1 trilhão pelo sétimo mês seguido e apresentando crescimento ininterrupto há nove meses.

 

Essa deterioração fiscal é explicada por dois pilares: o peso dos juros da dívida pública, que somaram R$ 1,080 trilhão, e o agravamento do déficit primário.

 

Desempenho Primário e Regional

O resultado primário (que não contabiliza o pagamento de juros) registrou um saldo negativo de R$ 137,1 bilhões no acumulado de 12 meses. Esse valor representa mais que o dobro do saldo de fevereiro, que era de R$ 52,8 bilhões.

 

Somente no mês de março, o prejuízo primário foi de R$ 80,7 bilhões, com a seguinte distribuição:

  • Governo Central: déficit de R$ 74,8 bilhões.
  • Estados e Municípios: déficit de R$ 5,4 bilhões.
  • Empresas Estatais: saldo negativo de aproximadamente R$ 500 milhões.
 

Impacto dos Juros e da Selic

O custo com juros em março foi de R$ 118,9 bilhões, um salto significativo em comparação aos R$ 75,2 bilhões do mesmo mês em 2025. Esse avanço está diretamente atrelado à taxa Selic, que, apesar de recentes reduções, permanece em níveis que encarecem o financiamento da dívida e pressionam o balanço total do país.

 

Em resumo, enquanto o resultado primário indica a capacidade do governo de pagar suas contas imediatas com o que arrecada, o resultado nominal expõe o impacto total do endividamento ao incluir os custos financeiros.

 

 

Resumindo

  • O déficit nominal bateu recorde histórico, atingindo R$ 1,218 trilhão.
  • O custo dos juros (R$ 1,080 trilhão) é o principal componente do rombo total.
  • O déficit primário dobrou em relação ao mês anterior, sinalizando maior desequilíbrio entre receitas e despesas.
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