A Prefeitura de Granja contratou o cantor Pablo para uma apresentação de aproximadamente 1h30, durante o XII Granchitão, realizado entre os dias 23 e 25 de julho, pelo valor de R$ 765 mil. A contratação foi realizada por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação para artistas consagrados representados por empresário exclusivo.
O valor do contrato chama atenção quando comparado à realidade da maior parte dos trabalhadores brasileiros.
Considerando o salário mínimo de R$ 1.767,00, em vigor em 2026, um trabalhador que recebesse apenas um salário mínimo precisaria trabalhar cerca de 433 meses, ou aproximadamente 36 anos, para acumular R$ 765 mil — isso desconsiderando descontos, inflação e qualquer gasto com alimentação, moradia, transporte ou demais despesas básicas.
Sob outra perspectiva, o cachê representa um desembolso de aproximadamente:
● R$ 510 mil por hora de apresentação;
● R$ 8,5 mil por minuto;
● Cerca de R$ 142 por segundo de show.
Alem deste, outros contratos astronômicos também foram feitos com outras bandas para este mesmo evento, somando quase $ 4 milhões. Apesar do maior cachê, de R$ 765 mil reais, por cerca de 90 minutos de show, ter sido pago ao cantor Pablo, também foram feitos contratos de R$ 400 mil reais com o cantor Rey Vaqueiro já com Sorriso Maroto foi R$ 750.000,00) - Pedro Sampaio (R$ 750.000,00) - Seu Desejo (R$ 500.000,00) - e Felipe Ret (R$ 650.000,00 . Lembrando que ainda foram gastos com palco, decoração, som, luz, segurança, etc. Com isso, o custo total do evento pode chegar a R$ 6 milhões de reais.
Listada entre as cidades mais pobres do país em renda média, Granja segue sem contar com infraestrutura hoteleira e gastronômica.
A contratação de artistas para eventos públicos costuma gerar debates entre a população. Se por um lado, prefeitos alegam melhoria do turismo para gastos exorbitantes com esse tipo de evento, por outro lado, críticos questionam a prioridade da aplicação dos recursos públicos, especialmente em municípios que ainda enfrentam desafios nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
Embora a contratação esteja amparada pela legislação, os escândalos de corrupções e desvios de verbas nos gastos públicos, deixa o questionamento sobre esse tipo de despesa, mesmo que por obrigação as gestões tenham que divulgar os valores nos portais da transparência, compete a população acompanhar tais ações, analisando e julgando as prioridades dos municípios, bem como a lisura das contratações, fiscalizando e formando sua própria opinião sobre a destinação dos recursos públicos.