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Flávio Bolsonaro desmonta narrativas de jornalistas em sabatina
Por Agostinho Alcântara
Publicado em 29/08/2026 23:19 • Atualizado 29/08/2026 23:21
Politica

 

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi submetido a uma série de questionamentos durante uma sabatina que abordou temas envolvendo sua família, sua atuação política e propostas para um eventual governo. Entre os assuntos que mais provocaram cobranças dos entrevistadores esteve sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento privado de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Flávio negou qualquer participação na movimentação financeira relacionada ao filme. Segundo o candidato, sua atuação se limitou a contribuir na busca por investidores e a autorizar a utilização de sua imagem. Ele ressaltou que o projeto não recebeu dinheiro público e afirmou que a documentação referente à prestação de contas foi apresentada. Diante das perguntas sobre a origem e a circulação dos recursos, defendeu que sejam investigadas de forma abrangente todas as relações envolvendo o Banco Master.

A situação jurídica de Jair Bolsonaro também ocupou parte importante da entrevista. Flávio classificou como injusta a condenação do pai no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado e questionou aspectos considerados no julgamento. Ele afirmou que, se chegar à Presidência, trabalhará pela aprovação de uma anistia aos condenados e, caso essa alternativa não avance, disse que pretende recorrer ao indulto para os envolvidos nos acontecimentos de 8 de Janeiro.

Sobre as eleições e as urnas eletrônicas, Flávio admitiu que já havia compartilhado anteriormente uma informação incorreta envolvendo uma empresa venezuelana. Apesar disso, declarou que aceitará o resultado oficial das eleições e respeitará a decisão proclamada pelo Tribunal Superior Eleitoral, mesmo que o resultado seja contrário à sua candidatura.

As relações entre Brasil e Estados Unidos também entraram na pauta. Ao comentar a atuação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, Flávio afirmou que considerou inadequado o agradecimento feito por ele às tarifas aplicadas pelos americanos contra produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, defendeu a permanência de Eduardo na articulação política nos Estados Unidos e negou que o deputado tenha sido o responsável pela adoção das medidas pelo governo americano.

Flávio afirmou ainda ter atuado para tentar reverter as tarifas que atingiram empresas brasileiras. Ao abordar o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, foi enfático ao dizer que o Pix não será objeto de negociação.

Na área de segurança pública, o candidato foi confrontado sobre sua antiga relação política com Adriano da Nóbrega e sobre a Medalha Tiradentes concedida a ele. Flávio justificou a homenagem afirmando que ela ocorreu há mais de 20 anos, em um período no qual, segundo sua versão, Adriano era reconhecido como policial e ainda não havia surgido o conjunto de acusações que posteriormente passou a envolvê-lo.

No campo econômico, o candidato prometeu promover um amplo programa de redução de despesas públicas. Entre as medidas citadas estão a diminuição do número de ministérios, a redução de cargos comissionados, o combate à burocracia, a revisão de gastos e a redução de impostos. Questionado, entretanto, sobre o tamanho exato do ajuste fiscal que pretende realizar, não apresentou um número durante a entrevista.

Flávio também procurou afastar a possibilidade de que o ajuste recaia sobre aposentados, beneficiários de programas sociais ou trabalhadores de baixa renda. Segundo ele, a economia deverá ser obtida principalmente por meio da diminuição da estrutura administrativa, do combate à corrupção e do uso de tecnologia para fiscalizar os gastos públicos.

No debate ambiental, o candidato adotou uma posição contrária à tese de que o aquecimento global seja provocado diretamente pela atividade humana. Ele atribuiu as mudanças climáticas principalmente a fenômenos extremos e ciclos naturais. Como uma das principais medidas ambientais de seu eventual governo, destacou a ampliação dos investimentos em saneamento básico.

Já na reta final da sabatina, Flávio passou a apresentar nomes e propostas para um possível governo. Para o Ministério da Saúde, anunciou o médico Claudio Lottenberg como sua escolha caso seja eleito.

Ao concluir a entrevista, o candidato pediu ao eleitor uma oportunidade para promover mudanças no país e direcionou críticas à administração de Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente em relação ao endividamento, à segurança pública e à corrupção.

A sabatina teve como um de seus principais pontos de tensão as perguntas sobre o Banco Master e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio, por sua vez, buscou responder às acusações e apresentar suas propostas, ao mesmo tempo em que utilizou os questionamentos sobre sua trajetória e a de sua família para fazer críticas ao atual governo.

 

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